terça-feira, 20 de outubro de 2009

Para alunos de estágio: "Situação de professores no Brasil é preocupante, afirma consultor da Unesco"

Problemas na formação continuada dos professores e até mesmo na formação inicial, além da baixa remuneração, compõem um cenário "preocupante", de acordo com o consultor em educação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, Célio da Cunha.

Ao comentar o estudo "Professores do Brasil: Impasses e Desafios", lançado pela Unesco na semana passada, Cunha lembrou que os professores representam o terceiro maior grupo ocupacional do país (8,4%), ficando atrás apenas dos escriturários (15,2%) e dos trabalhadores do setor de serviços (14,9%). A profissão supera, inclusive, o setor de construção civil (4%).

O especialista destaca, entretanto, que é preciso "elevar o status" do professor no Brasil. A própria Unesco, ao concluir o estudo, recomenda a necessidade de "uma verdadeira revolução" nas estruturas institucionais e de formação. Dados da pesquisa indicam que 50% dos alunos que cursam o magistério e que foram entrevistados disseram que não sentem vontade de ser professores. Outro dado "de impacto", segundo Cunha, trata dos salários pagos à categoria --50% dos docentes recebem menos de R$ 720 por mês.

O estudo alerta para um grande "descompasso" entre a formação teórica e a prática do ensino. Para Cunha, a formação do docente precisa estabelecer uma espécie de "aliança" entre o seu conteúdo e um projeto pedagógico, para que o professor tenha condições de entrar em sala de aula.

Como recomendações, a Unesco defende a real implementação do novo piso salarial e a política de formação docente, lançada recentemente. Cunha acredita que esses podem ser "pontos de partida" para uma "ampla recuperação" da profissão no Brasil.

"Se houver continuidade e fazendo os ajustes necessários que sempre surgem, seguramente, daqui a alguns anos, podemos ter um cenário bem mais promissor do que o atual", disse, ao ressaltar que sem professores bem formados e com uma remuneração digna não será possível atingir a qualidade que o Brasil precisa para a educação básica. "Isso coloca em risco o futuro do país, por conta da importância que a educação tem em um mundo altamente competitivo e em uma sociedade globalizada."

Publicado originalmente em:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u638467.shtml

11 comentários:

  1. Esse artigo remete a outro "pos" colocado pela Valesca sobre os alunos não quererem dar aula. Todos nós colocamos nossos pontos, e lembro bem do que escrevi, pois todas as atribuições do professor não são bem reconhecidas, dando um salário muito baixo para a realidade da sociedade brasileira. Mas, como só tenho minha experiência como estagiário, meu comentário poderia ser considerado só um manifesto sem embasamento teórico ou sem referências de estudiosos de peso.

    Então, a UNESCO, uma instuição com respeito no mundo todo, em seu estudo sobre os professores brasileiros chega a conclusão que todos nós vemos a há algum tempo. Só uma revolução para mudar as estruturas da educação e realmente terem respeito pelos professores, e por conseqüência da população economicamente ativa como um todo.

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  2. Thiago, é engraçado isso, não é? Os alunos se formarem em uma profissão que não querem seguir. Tenho medo que isto esteja acontecendo comigo... mas, honestamente devo admitir que tenho me desiludido bastante com a situação. É complicado imaginarmos uma atividade que "saia do quadrado" e amplie os horizontes se ao aplicá-la em aula nossos alunos não percebem que nos desgastamos emocionalmente ao notarmos que nosso esforço foi em vão. Sem contar, com horas e horas que eles não imaginam que perdemos procurando, buscando e também tirando de nosso salário os materiais que faltam para complementar as atividades diversificadas. E olha, ainda somos estagiários; poucas horas em sala de aula, poucos momentos de buscas. E como se não bastasse, pensar em trabalhar integralmente (pq bons professores, pensam nas atividades mesmo fora da sala) para receber um salário menor do que o de um gari só mesmo tendo muita vontade de ver o aluno querendo progredir e progredindo(mas, esses estão ficando tão escassos).

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  3. Acho importante o estudo relizado pela UNESCO e concordo com a posição de Cunha em relação à remuneração e melhor qualificação dos professores deste país.
    É necessário que o profissional da educação seja melhor retribuído pela função que exerce, pelo tempo extra que dedica. E em resposta, por parte do docente, um maior comprometimento na fomentação cognitiva, aproximando-se do que dizem todos os PPP's das escolas "formar alunos críticos... blá, blá, blá..".
    Acredito que em sala de aula é a oportunidade de crescimento para ambos os lados (professor e aluno), da interação, da descoberta, do aprimoramento de objetivos para a vida.
    Enfim, é na valorização que se reside o progresso.
    Débora do Couto Pereira - deboradocouto@yahoo.com.br

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  4. Deise diz....
    É preocupante perceber que algumas pessoas optam por serem licenciados e não quererem exercer a profissão ou pior, exercê-la de mau grado. Isso faz com que tenhamos maus professores atuando na rede pública, principalmente no Ensino Básico.É obvio que algumas coisas devem melhorar como os citados pelo artigo, mas acredito que ser professor é uma questão de vocação, de estilo.

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  5. Observando o que diz este artigo e os estudos da Unesco é possível perceber que mais uma vez se fala dos problemas que cercam a vida dos professores. Creio que esta profissão é uma das mais, senão a mais importante das profissões, pois, todos (médicos, engenheiros, atores, etc.) algum dia passaram pelas mãos de um professor e é por isso, que concordo que o salário pago a eles é uma vergonha. Quanto às desistencias de pessoas que se formam e não seguem esta carreira, acredito que é pelo pânico que as dificuldades que os esperam podem causar, pois, além de mal pagos, os educadores tem que agir como psicólogo, enfermeiro e até pai ou mãe, além disso, a escola não oferece estrutura nem apoio para tantos obstáculos que os cercam, principalmente da rede pública.
    Ângela Binsfeld

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  6. Depois de ver o comentário da colega Deise me pus a pensar, desisto da faculdade, agora vou até o fim, o que faço agora? Se ser professor é questão de vocação, de estilo estou perdida, porque tenho certeza que não tenho vocação nem estilo para isso. Gosto de dar aula, sempre gostei, essa sempre foi a brincadeirinha que fazia quando crinaça, brincava de dar aula pras bonecas e quando minha irmã nasceu ela fez o papel de minha aluna, ode eu passava a manhã, a tarde e dias seguidos brincando da mesma coisa. Agora naõ é mais brincadeira, a brincadeira acabou, vou para a sala de aula para realmente tentar fazer a diferença na vida daqueles alunos. porém acredito sim que se os professores recebessem um salário melhor, melhores condições de trabalho, se ouvesse mais investimento na educação, onde o professor se sentisse amparado não haveria tantos professores sem vontade de exercer a profissão, porque o que acontece é justamente o contrário, a educação em nosso país é a última estância a ser pensada para dar amparo. Esse é um processo que vem desencadeando desde muitos anos, dede que os profissionais da educação vem sendo esquecida e por isso essa insatisfação por tamanha quantidade de profissionais. E como diz na reportagem "Isso coloca em risco o futuro do país, por conta da importância que a educação tem em um mundo altamente competitivo e em uma sociedade globalizada."

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  7. Tive a oportunidade de estudar em uma época que ser professor representava uma alta posição no status social, a valorização salarial proporcionava aos docentes dedicar-se exclusivamente à carreira do magistério, sem a necessidade de trabalhar em até três turnos afim de atender suas básicas.
    Porém com o passar dos anos a situação foi mudando bruscamente, muito se preocupou com novas metodologias de trabalho, novas formas de tratar com os alunos. Contudo esqueceu-se da valorização do profissional que tem a missão de orientar todas estas mudanças.
    A insatisfação e o desâmino está explicito no rosto dos trabalhadores da educação, e esta desmotivação chega até os alunos, que diante de um mundo capitalista e consumista, não querem seguir uma profissão que não os possilitará ganhos para a manutenção de um bom nível de vida.
    No momento em que escrevo este comentário, estou escutando notícia de uma nova greve estadual dos professores, é claro este movimento é recheado de intenções politico- partidária, pois uma nova elelição se aproxima. Porém não se pode negar que esta é uma das formas de pressionar os governos e alertar a população, para que tomem consciência da grave situação que passa o magistério em nosso País.

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  8. Concordo um pouco com o comentário do Thiago, onde ele diz que a UNESCO expõe alguns dos problemas que nós já sabemos e mais, creio que mais do que mostrar os problemas para o mundo é necessário agir.
    "[...] necessidade de 'uma verdadeira revolução'" todos sabemos que é preciso. O mais importante é saber como trazer isto para a realidade brasileira, onde o professor não tem o devido valor, nem o devido salário, nem as devidas condições de trabalho.
    Portanto, acredito que este estudo serve sim como alerta, porém não deveria parar por aí.

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  9. Cristiano flores de Limas16 de dezembro de 2009 15:22

    Aqui quem vos fala é o porta-voz do excelentíssimo Presidenta da Republica senhor Luis Inácio Lula da Silva, para comunicar que a partir de amanha o piso salarial da educação básica passará para R$ 2.500,00.
    Se a notícia acima fosse verdade, sendo como afirma o artigo que os professores são o terceiro maior grupo ocupacional do país (8,4%), o que aconteceria no país seria um enorme rombo nas contas dos cofres públicos. Não há, infelizmente, neste momento como aumentar dignamente o salário dos professores, por exemplo, para este patamar. E olha que o valor do PIB destinado para a educação brasileira é semelhante a de países desenvolvidos, beira a 5%.
    Para gradativamente aumentar significativamente os salários somente com um contínuo crescimento econômico, ou elevar a atual porcentagem do PIB para a educação. Ou, quem sabe, gerenciar melhor os investimentos atuais da educação, pois há muito desperdício. Por exemplo, que necessidade tem o governo de custear os estudos numa universidade pública de quem tem plenas condições de pagar. Não estou defendendo a exclusão de alunos ricos nas universidades publicas, mas estes alunos bem que poderiam pagar mensalidade para o estado. Para se ter uma idéia do desperdício, a média de renda familiar de um estudante da USP, universidade mais bem conceituada da América Latina, há dois anos era de R$ 10.000.00 (não tenho dados atuais, mas pelo crescimento econômico do país de lá para cá deve ter aumentado). Quanto não se pouparia para investir na educação ao taxar este tipo de estudante?

    Quanto a elevar o status da profissão, a única idéia que me vem a cabeça é fazer o mesmo que os países com os melhor sistemas educacionais do mundo atualmente Singapura, Finlândia, Coréia do Sul fizeram; (por favor, não me apedrejem colegas) Dar o direito de se tornar professor somente para os melhores alunos que concluírem o ensino médio (os 10% melhores). Nestes países sabe-se muito bem que o professor pertence a uma elite profissional muito respeitada e prestigiada, e conseqüentemente uma profissão desejada. O problema é que no Brasil com os baixos salários não há como atrair os alunos mais destacados.

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  10. Ao terminar de ler sobre a preocupante situação dos professores no Brasil, me pergunto? Por que será que a educação não é tida como prioridade no nosso país? Saúde e educação não são a base para o desenvolvimento de tantas outras instâncias? Por que então deixar a educação em segundo plano??? Obtemos o conhecimento de que "dados da pesquisa indicam que 50% dos alunos que cursam o magistério e que foram entrevistados disseram que não sentem vontade de ser professores", e nada é feito pra reverter essa situação. O que dizer desse atual panorama? eu realmente não sei a resposta. Dizer que que os professores deveriam ser melhor remunerados adiantaria?? Adiantaria dizer que não é qualquer um que nasce com "o dom" ou ainda, tem 'vocação' para a profissão professor? Não espero resposta como essas... Sinceramente, parece que um vai passando a bola pro outro. Dizer que:"...O mais importante é saber como trazer isto para a realidade brasileira, onde o professor não tem o devido valor, nem o devido salário, nem as devidas condições de trabalho...", pra mim, só repete o que o senso comum diz e já sabe, mas como buscar esse "saber como trazer isso?"... quem tem que saber e quem tem que trazer????

    Ester Dias

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  11. É preocupante ver que alguns membros importantes do Brasil pensam que os educadores de nosso país não são "bons" o suficiente para dar uma educação de qualidade para nossos alunos. Claro que a pouca remuneração e a falta de prestigio social do professor é alarmante e desistimulante, mas não podemos dizer que por esse motivo não temos bons professores. É fato que as pessoas que estão sendo preparadas para serem professores dizem não quererem atuar na profissão,por ter pouca remuneração, falta de prestigio, enfim, salientam "n" motivos que dizem não quererem ser professores. Mas porque então fazem magistério, licenciatura? Ah, muitos dizem que por ser a única opção. Então, devemos ter consciência dos pontos baixos e altos desta profissão e lutar para que isso mude.

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